Pequena coleção de imagens de amores adolescentes

Te amo
Te odeio
Cuecas com freio

Pequena coleção de conceitos para se discutir em uma mesa de bar

moral
ética

apatia
empatia
simpatia
azia
afazia
nostalgia

Meu trampo
É uma questão de tempo
Meu trampo
É um trampolim
Pra dali eu me conectar
Com tudo
que há em mim

Meu trampo
É tramação
Das horas
Que aqui costuro
Enquanto junto
De forma justa,
Enquanto ajusto
Com paciência
De quem faz castelos de carta
Enquanto tento tecer
Fino e delicado
Tecido de vida e sonho

O parentologista é o médico que cura dor de parente. Dor de tia véia, que dói quando tá pra chover, dor de cotovelo de vizinha fofoqueira, entre outras dores de mundo. É uma alegria a chegada deste especialista ao interior. Geralmente é primo de alguém e todo mundo quer ter dor pra ir lá conversar com ele e falar, com muita propriedade, de suas dores

Corre-se o risco.
Inevitavelmente.
Ainda que não se trate de desenho, mas sim de escrita.
E ainda que para escrever não se use mais lápis ou papel.

O risco é de se estar nu,
Ou de se aventurar em terrenos perigosos, íngremes ou desconhecidos.

Será que a escrita revela uma nudez que o desenho não tem?
Será que o desenho cria um disfarce que esconde nudez?
Ou será que desenho dá mais liberdade de o artista estar nu?

Guia de etiqueta onírica

Se por acaso você sonhar que está no restaurante francês mais lindo que você já viu…

Não se impressione com o preço das coisas. Coma à vontade, porque, afinal, você não vai precisar pagar a conta. E faça o favor de não acordar antes que chegue o seu pedido.

E, em hipótese alguma, olhe para os outros espantado com os preços. E não comente a ninguém que a carne tem o gosto da sua boca ou que o croissant tem aspecto duvidoso. Ah, e peça o vinho mais caro

E ao ver o cobertor no varal, murcho, cabisbaixo, encharcado e pingando e tendo o tradicional “cheirinho” substituído pelo cheiro asséptico do amaciante, disse:

– mãe, tu não tem coração! Tu matou o Totoro! Ele tá chorando!

Enquanto eu durmo
Os fantasmas
Dão bailes de debutantes
Com Zé do Caixão
No telão
E na vitrola
Mutantes
Nada vejo à luz do dia,
O baile acaba bem antes.
Eu perco a banda afinada
Com hits arrepiantes

Arrepio na espinha,
Dizia minha avó
É fantasma brincando
De vestir a gente
Coisa de recém-fantasma,
Isso, de atravessar corpo humano…

Na biblioteca perdeu-se
Um livro muito sapeca
Da bravissima historia
D’O Príncipe dos Carecas

Quem achar este livro
Deve urgentemente informar
À Biblioteca Onírica
Pois o raríssimo exemplar
Encontra filas de leitores

Como a princesa careca,
Que cansou da vida científica
E de gastar sua retórica
Fazendo pesquisa empírica:

Vai usá-lo de base teórica
Pra fazer poesia lírica.