depois do nascimento
tudo é decadência

digam isso à vênus…

Num mundo de tanto pau mandado,
sou um pau demandado.
E a pauladas me esculpe
o tempo escasso.

E ainda assim, ainda que torta caminhe, …
ainda assim!
continuo gostando de mim.

De verdades (tantas!) me faço.
Mas sou de verdade.
E sou de ilusão.

Você troca a Roda de bicicleta duchampiana por um pneu Pirelli?

Você troca o “Cadeau” do Man Ray por um presente de grego?

Você troca uma bolsa Channel por um corte chanel?

E você troca a Guernica do Picasso por um carro Picasso?

TEMPO ESGOTADO!

Queria que fosse mais fácil, mas estou numa cabine à prova de som.

O futuro é um tiro no escuro.

Dormir, Taila…
é grátis!
Dormir então.
Já que é de graça.
Dormir é uma graça!
Hahahahahahaha!
Ai, que graça!

Dormir, de graça!
g a r ç a

poeminha do perigoso

a mim me custa
ser moça séria

a mim me custa
ser boa moça

a mim me custa
andar na linha

e acho até
que a contramão…
é muito mais sincera
que essa vidinha.

e acho, até
que a contramão…
e acho, então,
que não ter opinião…

Das interpessoais

Antes os monogâmicos assumidos
Que os monotemáticos

Quanto aos monótonos,
Antes os monocromáticos

Antes os melancólicos
Do que os antipáticos

Antes os bucólicos
Do que os apáticos

Tísicos ou reumáticos?
Antes os intergalácticos!

Desperdício:

estar à toa na vida e não te chamarem pra nada.
…nem pra ver a banda passar!

Marchinha muito minha:

Eu queria ser
Johnson&Johnson
Só pra lhe dizer
Chega de choradeira

Megapixels
Megalópole
Megabytes
Megawatts
Megatron
Megaoperação
Megafone
Megaman
Megalomania

Microfone
Microsoft
Microempresas
Microrregião
Microinformática
Microondas
Microprocessadores
Microalgas
Microcrédito
Microbiologia
Micronésia

Mega
Micro

Microsensações
em megalópoles

Mega aspirações
em microcélulas

Tão micro
em tão mega
oceanos
de informação

Tão frágil
tão impotente
e assim se (a)ssenta
a solidão

Puxa uma cadeira e senta
A solidão
Puxa o meu tapete e senta
Não diga não
Não diga nunca
Te assenta,
E assola,
Tão sólida, solidão,
Em líquida…
Liquidação.

Chuva torrencial
Ali no litoral
Meu coração chove também.
Escoam, em suas águas,
Barquinhos de papel.
Brincam na minha tristeza
E em cada caraminhola
Um querubim.
Colocam, em meus cabelos,
Um jasmim
E me fazem de Ophelia louca Iemanjá.

No pensamento distante,
Pergunto-me sobre o amor poeta.
“O amor, poeta, é como a cana azeda… a toda boca que não o prova engana.”
E se o amor do poeta me engana,
Entristeço-me com o sabor da cana.

E eu, que neste mundo ainda sonho?
E eu, que tenho coração?
Acordo num mundo medonho
Onde o afeto é uma aberração.