alegria de bobo

é juntar
meu sapato com o teu
só pra ver se assim
eles brincam de escravos de jó

caprichosa

peço um café bem grandão
e tomo bem devagarinho
que é só pela beleza
de te ter mais um pouquinho

não importa que esteja frio
enquanto a cortina
dança a sua graça
de ser um pano mole ao vento
pendurado sobre a janela aberta

ciclope
clonado
é ciclone

esse vento aí…
de fazer as vidraças chacoalharem,
de gerar apagões na cidade…
de botar medo a qualquer um que preze a sua independência…
tudo o que ele quer é dizer pra gente: leveza, le ve za! l e v e z a !
vida leve por bem ou…:
TE ARRANCA DAÍ, Ô, VIVENTE!

versos bobos

mentira
mentirosa
mentirez
mentirinho

verdades
pela janela
voam
como passarinho

o nariz

embora o estudo exija que o mundo se cale dentro da cabeça,
ainda que com os ouvidos tampados,
cobertos por ruídos: branco, marrom ou rosa,

o cheiro da comida da vizinha insiste em entrar pela janela
atravessa a cozinha,
passa pela estreita porta e chega ao amplo cômodo onde se come, deita e estuda.
sou, portanto interrompida por divagações da ordem dos aromas:
alho fritando sobre óleo quente
seguido de atum enlatado

alho com atum.

embora o estudo exija que o mundo se cale dentro da cabeça,
ainda que com os ouvidos tampados,
cobertos por ruídos: branco, marrom ou rosa,

não é possível, pois, silenciar o nariz.

perguntas do universo bobístico

por que eu não posso ouvir a palavra ‘instituição’ que eu ‘ovo’ prostituição?

depois do nascimento
tudo é decadência

digam isso à vênus…

Num mundo de tanto pau mandado,
sou um pau demandado.
E a pauladas me esculpe
o tempo escasso.

E ainda assim, ainda que torta caminhe, …
ainda assim!
continuo gostando de mim.

De verdades (tantas!) me faço.
Mas sou de verdade.
E sou de ilusão.