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Google Art Project, um paraíso de texturas e cores

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Possibilidades se abrem em um leque ornado, como o que Marie Leszczinka tem em sua mão esquerda. O Google Art Project vem a solucionar alguns problemas na obtenção de imagens de obras de arte em boa qualidade e resolução, além de, honestissimamente, colocar as referências fundamentais a toda pesquisa de imagens que se preze: título, autor, dimensões, ano, técnica. Isso é bom porque centraliza estas informações, geralmente perdidas e nem sempre fáceis de encontrar. Acadêmicos de artes visuais, história, história da arte, publicitários, jornalistas, designers, professores e alunos. Uma série de gente se beneficia direta ou indiretamente destas informações.

Fora o básico, fiquei imaginando no quanto ganhamos em termos de pesquisas. Sem precisar ir até a Galeria Uffizi, eu posso ver detalhes em pinturas que eu já conhecia, mas que não havia olhado atentamente. E os detalhes, em determinados tipos de leitura, podem dizer muito sobre uma imagem: tanto da técnica quanto no que se refere a pesquisas iconográficas.

Mas pensei um pouquinho mais além. Viajei nas texturas, nos cabelos da Vênus nunca antes vistos de tão perto, apenas em reproduções pobrinhas de revistas nacionais, com as cores alteradas. Viajei nas transparências dos tecidos de Boticelli. Viajei nas possibilidades plásticas da pintura, ao longo dos séculos esmiuçadas, trabalhadas insistentemente. E em um outro uso interessante do empreendimento: banco de texturas. Criei um tobogã de texturas, para viajar debaixo dos caracóis dos cabelos da medusa, de Louis XIV, de Cupido e de Vênus.  Divirtamos-nos!

Detalhes de: Medusa, 1595-1598, Caravaggio, óleo sobre tela, 55 cm de diâmetro; Cupid as Victor, por volta de 1601, Caravaggio,  óleo sobre tela, 156.50x113.30 cm; Louis XIV, por volta de 1705, Antoine Benoist, pastel oleoso, 52.00x42.00 cm; O nascimento de Vênus,  1483-1485, Sandro Botticelli,  têmpera sobre tela, 172.50x278.50 cm.

Detalhes de: Medusa, 1595-1598, Caravaggio, óleo sobre tela, 55 cm de diâmetro; Cupid as Victor, por volta de 1601, Caravaggio, óleo sobre tela, 156.50x113.30 cm; Louis XIV, por volta de 1705, Antoine Benoist, pastel oleoso, 52.00x42.00 cm; O nascimento de Vênus, 1483-1485, Sandro Botticelli, têmpera sobre tela, 172.50x278.50 cm.

Mostra Panorâmica na Geleria dos Arcos -Usina do Gasômetro

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

PanorâmicaDia 13/01, quinta-feira, será a abertura da Mostra Panorâmica na Galeria dos Arcos, Usina do Gasômetro. Da mostra participam alunos do Instituto de Artes – UFRGS, Famecos- PUCRS e Unisinos. As produções abrangem temas muito variados: corpo, espaço, arquitetura, trabalhos que dialogam de certa forma com a antropologia, ao retratar cenas do cotidiano de diferentes grupos humanos, como também pesquisas mais particulares. Há trabalhos muito bons ali, uma diversidade enorme de focos e pesquisas, fotografias para todos os gostos.

Será a terceira exposição coletiva da qual participo, sendo a primeira exclusivamente de fotografia. É a primeira vez que participo de forma tão intensa do processo de montagem e estou cheia de expectativas. Considero esta exposição uma importante parte do meu processo de aprendizado, uma boa oportunidade para ver as produções dos meus colegas do instituto e conhecer o que se passa nas demais instituições. E estou gostando bastante do que já vi até agora.

A França invade Porto Alegre

segunda-feira, 13 de julho de 2009

É julho, encerra-se o primeiro semestre do ano letivo nas universidades brasileiras e há muita coisa para fazer, muita coisa para pensar e a necessidade de aproveitar ao máximo cada segundinho das férias tão esperadas. Seja na cama, tirando o atraso das madrugadas “perdidas” com trabalhos escolares, seja no cinema, ou no repouso dos olhos sobre as leituras adiadas durante a maratona estudantil. Meus olhos sedentos pela imagem precisam de algo que os satisfaça urgentemente. Hoje gastá-los-ei com a internet, na procura das possibilidades para o melhor aproveitamento desse tempo preciosíssimo, tão caro e tão raro.

E é em POA que se concentram as melhores opções culturais para este tempo bom, que não há de voltar tão cedo. De 13/07 a 30/08 o MARGS traz a França aos nossos olhos com a exposição Arte na França 1860-1960: O Realismo, com obras de ninguém menos que Cézanne, Van Gogh, Renoir, Manet e Picasso. De acordo com o site do museu, as obras estão lá desde a última quinta-feira, quando chegaram escoltadas pela polícia. Hoje haverá uma recepção especial para sortudos, felizes e ilustres convidados e amanhã é a abertura para o público. Visita obrigatória a todo estudante de artes que se preze. Também serão expostas obras  pertencentes ao acervo do MARGS de pintores que foram influenciados por estes e outros artistas europeus. Já no café do museu, temos a exposição fotográfica Imagens de France, com 20 fotografias de cidades francesas.

No Santander Cultural a exposição fotográfica Reflexio, que fica até agosto, traz a imagem contemporânea na França sob o olhar de Valérie Jouve, Suzanne Lafont, Patrick Tosani, Catherine Rebois, Eric Rondepierre e Jean-Luc-Moulène.

A Sala Redenção (Av. Paulo Gama, s/nº, Campus Centro – UFRGS. Telefone: 3308 3034) traz em cartaz o ciclo Nouvelle Vague: uma câmera na mão e uma idéia, com uma série de filmes que homenageia os 50 anos do novo cinema francês. A entrada é franca e os horários e sinopses dos filmes podem ser encontrados no Agendão da UFRGS.

E nem mesmo o FANTASPOA escapou da invasão francesa (uma invasão pra lá de positiva, sem dúvida)! O Quinto Festival Internacional de Cinema Fantástico de Porto Alegre exibe um set especial só de cinema fantástico produzido na França. Mais detalhes no site.

Atrações culturais não faltarão para estas férias. Em breve, se o tempo me permitir, continuarei postando coisas interessantes que eu encontrar por aí.

Do óbvio ao extraordinário

segunda-feira, 8 de junho de 2009

As circustâncias em que eu me encontrava em 2007, ano da 6ª Bienal do Mercosul, não me permitiram uma maior apreciação do evento. A quantidade de trabalhos expostos era imensa e uma tarde de passeio por Porto Alegre dividida entre a Feira do Livro e tantas outras coisas interessantes que aconteceram paralelamente não foi suficiente para ver tudo.

Felizmente existem as publicações das exposições da bienal, disponíveis em qualquer biblioteca de artes que se preze. A biblioteca do IA, por exemplo! Foi lá que me apresentaram Jorge Macchi como uma boa referência para o meu projeto de Fundamentos da Linguagem Visual. A pesquisa seguiu outro rumo e acabei utilizando outros referenciais. Mesmo assim, peguei o livro emprestado. Não resisti.

À primeira vista, o trabalho de Macchi pode parecer simplório ou mesmo sem sentido para um mero passante, que não busca aprofundamento ou a reflexão acerca do tema. O catálogo, entretanto, revela um trabalho simples, porém bastante sedutor. Ele provoca a reflexão através de objetos comuns que, retirados de seu contexto, adquirem densa profundidade emocional. Nas palavras de Gabriel Pérez Barreiro, “esses objetos passam por um processo de desfamiliarização a ponto do óbvio tornar-se extraordinário”.

Como minha pesquisa era, inicialmente, sobre artistas que trabalhavam com a apropriação de materiais impressos, como revistas e jornais, duas obras me chamaram a atenção.

O primeiro deles foi Música Incidental, em que o artista se apropria de histórias de violência e acidentes retiradas de tablóides sensacionalistas britânicos. Tais histórias foram dispostas em três páginas que formam grandes partituras musicais. Onde uma termina começa outra com um pequeno intervalo no papel. Cada intervalo forma uma nota musical. Ironicamente, estas partituras gigantescas formam uma música suave que foi tocada ao piano. Fones de ouvido pendurados no teto nos convidam a ler estas histórias acompanhadas de uma trilha própria.

Música Incidental, 1997. Técnica mista. 234 x 150 cm cada.

Música Incidental, 1997. Técnica mista. 234 x 150 cm cada.

O segundo, Un charco de sangre, utiliza o mesmo recurso de histórias recortadas de jornais. Neste, as linhas coladas convergem para um ponto central, onde se repete a o clichê jornalístico “em uma poça de sangue.”

En un charco de sangre - Detalhe.

Olá mundo mais uma vez!

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Depois de algum tempo desaparecida, eis que pinto por aqui novamente. O fato é que estou mergulhada até o pescoço em Artes Visuais, é um delírio! É andar pelas ruas e pensar graficamente, pictoricamente e refletir sobre cada coisinha, detalhezinho, bobagem que vejo por aí. Acredito que minhas colegas também saiam das aulas assim como eu, não? Meninas, se manifestem! Eu sei que vocês me lêem, hahaha! Estou imersa em viagens que me impedem de ter tempo de me voltar às navegações comunicativas (orkut, msn, essas coisas). Tenho feito navegações investigativas e descoberto muita coisa. Os trabalhos finais do semestre se aproximam. É preciso pesquisar, pensar, agir! São muitas idéias e elas me sugam!

Vários fatores contribuíram para o chá-de-sumiço de Dona Taila. O primeiro deles é a admirável biblioteca do Instituto de Artes. Toda vez que entro lá, me sinto um grande ímã onde os livros grudam de tal maneira que quase tranco na portinha estreita ao sair. Consegui quebrar o meu recorde esta semana: estou com 13 livros em casa! O.o A grande sorte é que não existe um limite. Isso ocorre porque o espaço da biblio é insuficiente para a quantidade de livros que há no acervo. Para caber todos eles, seria necessário quatro vezes o tamanho atual. E eu me controlo! Se não me controlasse, estaria com mais livros em casa. Dois deles são sobre fotografia, porque passei a me interessar pelo assunto, do qual eu não sabia nada antes de virar bixo. Fondos para una colección de fotografia traz fotos de artistas de Madrid. A maioria deles trabalha com figura humana, mas tem alguns trabalhos interessantes que eu pretendo usar como referências para fazer collages. Já Fotografia Pensante, o segundo livro retirado, é de Luís Guimarães Monforte e aborda diversas técnicas de fotografia de uma maneira geral. Há muito tempo eu quero fazer alguma coisa com pin hole e conheço algumas pessoas que já trabalharam com isso, mas nunca cheguei a comprar o material. Mas as férias vêm aí…!

Outros caminhos que contribuíram para o meu sumiço: a busca incessante de materiais para aplicar todas as idéias que têm chovido dentro de mim, a necessidade de ver exposições e as páginas de alguns artistas recém descobertos na Internet. Mais adiante pretendo falar sobre alguns deles, já que muitos servirão de referências para trabalhos meus.

Acho que vou ficando por aqui. Há muito que falar, mas também há muito que fazer! E não quero tornar este post muito cansativo. ;-)