Música, Ciência e Tecnologia

12 de agosto de 2010

Uma exposição de música eletrônica? Como assim? Isso mesmo! Teclados, sintetizadores, baterias eletrônicas, programinhas de edição. Trata-se da exposição Música, Ciência e Tecnologia, no Museu da UFRGS até o dia 22 de outubro.

Não entendo nada de música eletrônica, mas gostei muito de fuçar na aparelhagem toda e descobrir mais uma vez que existe todo um universo de possibilidades do qual nada sei. Além disso, achei bem interessante ter entrado em contato com toda uma aparelhagem que é responsável por uma boa parte do repertório de texturas sonoras que a gente acumula vendo filmes, escutando música e assistindo a seriados. Manipulando alguns sintetizadores me lembrei dos seriados que eu assistia na tevê, quando queriam simular a idéia de espaço. Zumbidos estranhos e barulhinhos agudos vibrantes eram super convincentes para as crianças que assistiam às sessões da tarde e que nunca haviam ido para o espaço ou visto extraterrestres.

Somos uma fraternidade

15 de junho de 2010

Há 2 meses eu vivo na cidade que sempre vislumbrei, no bairro que gostei assim que conheci, na rua que eu amei assim que pisei. Árvores cabeludas enfeitam a atmosfera com suas barbichas que caem sobre fios de luz, telhados, sacadas, janelas, orelhões e bancas de revista. O parque mais social da região metropolitana fica a somente uma quadra da minha casa e nós encontramos o apartamento perfeito para montar uma república, porque eu sempre quis morar num lugar como o albergue espanhol (do filme de mesmo nome) ou num lugar como o orfanato Raio de Luz, da novela Chiquititas.

Foi uma saga a nossa busca. O Charles passou em um concurso público em POA, eu e a Carine estudávamos na UFRGS há um ano. Todos nós víamos a necessidade de morar em Porto e estávamos cansados das cidades de origem e sua inércia cultural. Eu e o Charles vimos vários bares em SL abrirem e fecharem suas portas permanentemente, pessoas legais e esforçadas tentarem, tentarem e não conseguirem levar suas propostas culturais adiante. Nas cidades da região metropolitana a gente tem um foco cultural numa cidade em um período de mais ou menos 4 anos e existe uma rotatividade entre elas. NH e SL geralmente são as competidoras mais premiadas com relação a isso, e em especial à vida noturna. Nós mesmos tomamos algumas iniciativas que infelizmente não pudemos levar adiante, como a Lolita’s Rock Party, Exílio Poplítico e o SinosRock, uma agenda online e colaborativa que divulgava as festas da região. A cena foi morrendo e o desânimo cresceu. Eu praticamente não saía mais por São Leopoldo. Outro motivo era a faculdade. Eu passei a priorizar as questões do curso de artes em detrimento da minha vida social. Antigamente a gente saía nas ruas e encontrava mais de 3 conhecidos no caminho de casa até a Independência. Nos últimos meses encontrar pessoas legais pelas esquinas se tornou meio raro. E quando acontecia, era presente o clima de nostalgia e lamento: a situação econômica da cidade, a cena cultural tristíssima e as mazelas da Unisinos.

Era uma necessidade comum. Além disso, eu precisava de espaço. Morar num apê de 40 metros quadrados estava me limitando demais, era deprimente não poder pendurar meus trabalhos em todas as paredes, não ter um canto destinado aos estudos e produção artística, desenhar em papéis pequenos, pintar telas pequenas, podar a necessidade quase existencial de fazer coisas grandes, de ocupar espaços. Nosso critério principal para escolha era, portanto, o espaço. Queríamos, além disso, uma boa localização, boa iluminação e, no mínimo, 2 quartos e um peça para trabalhar. Eu lembro de ter entrado em lugares encantadores, mas que poderiam muito bem servir de cenário para filmes de terror ou suspense, apartamentos em estado de decomposição, apartamentos fofinhos, mas pequenos demais pra nós três e um que ficava ao lado de um bar. Entramos em várias listas de espera, pegamos várias chaves emprestadas e chegamos a visitar 8 apartamentos num dia só. Foram muitas caminhadas, ônibus e corridas de táxi. Outras corridas (minhas) à pé, para entregar as chaves no horário combinado. Imaginamos nossas vidas em cada um daqueles espaços. Lembro-me de ter visitado muitos sozinha, porque eu tinha uma disposição de horários melhor, e ter entrado num que poderia muito bem ter um laboratório fotográfico, porque tinha uma sala muito escura. Mas foi o mais puro acaso que nos trouxe a este lugar onde residimos. Eu estava indo até um apartamento quando percebi que havia outro, naquela mesma rua, para alugar. A imobiliária ficava na mesma rua, uma imobiliária pequena e que eu nem sabia que existia. Era grande, mobiliado e tinha sacada. Voltei lá com o Charles e com a Carine, mas eles não gostaram. O rapaz nos disse que havia outro, na Cidade Baixa, de 200 metros quadrados e três quartos. Pensamos que seria caríssimo, mas a curiosidade foi mais forte. Rua encantadora, prédio fofinho, corredores agradáveis, porta imponente e o eco de um espaço que dizia que era nosso. UAU! Era a minha expressão para este momento. Era imenso, tinha uma luz de convento, uma aura celestial, sacada, churrasqueira e uma porta secreta. O pessoal da imobiliária nos enrolou por semanas, a burocracia nos torturou de forma pesada, mas estamos aqui.

Depois veio a Camila. Em seu primeiro semestre do curso de artes ela estava passando por vários desafios: o de conciliar os horários com a loja da família (pela qual é imensamente responsável e zelosa), faculdade e as idas e vindas POA -Caxias – Flores da Cunha. Além de carregar muita tralha durante os dias que tinha aula ela dormia num quarto compartilhado com seis pessoas (quando conseguia ficar nesse hotel, que era uma das melhores relações de custo e benefício próximas à faculdade) e não podia praticar violino ou fazer os trabalhos, porque não havia um espaço para isso.

Charles, Carine, Camila, Taila. Às vezes eu surto, às vezes a Carine surta, às vezes o Charles surta. A Camila surta, mas ela é a Poliana. Ela não surta o suficiente pra achar que o mundo vai acabar e querer cortar os pulsos. E surta de uma forma diferente. Mas eu adoro morar com essas pessoas! São a minha família escolhida, e escolhida a dedo! O Charles porque ocupa um lugar especial no meu coração, a Carine porque ela é parceirona pra tudo (até pra indiadas), além de ser o extraterrestre mais legal que eu conheço e a Camila porque nós fizemos muitas promessas juntas pro caso de passarmos no vestibular e nos tornarmos artistas. Além dela ser, claro, movida a impulsos de felicidade elétrica vindos de um lugar que eu não sei onde. Ela tira ânimo do vácuo pra fazer as coisas.

Eu já falei nesse texto sobre a inércia cultural das cidades menores da região Metropolitana de POA e da minha falta de vontade de sair em decorrência disso (e de alguns outros fatores). Mas aqui a gente não tem como não sair. Impossível! E sair com eles é a coisa mais legal do meu dia-a-dia. A gente dança ridículo. E muitas pessoas se espantam. E não estamos nem aí! Muita gente vai às festas tentando passar uma imagem de “eu sou cool”, “eu sou liberal” e na hora de soltar o corpo, de cagar pras dancinhas pré-estabelecidas não conseguem. Estamos esbanjando espontaneidade. De graça. E quem ganha somos nós. Infelizmente a Camila ainda não pôde sair conosco, mas já fingimos uma briga na Casa do Lado. E foi muito divertido! Espero que ela possa fazer festa com a gente em breve, porque tenho certeza que será foda!

Criamos um cosmos. E é lindamente caótico como deveria ser. Ninguém se importa com a louça na pia, se é a vez de fulano lavar ou beltrano. A gente lava sabendo que fulano tem outras preocupações no momento, beltrano não está disposto, a água está fria. Compartilhamos pensamentos, idéias, espaço, comida, rachamos o táxi, as bebidas, o aluguel, as festas. E apresentamos uns aos outros novas músicas, filmes, séries, livros, visões. É lindo viver com essa gente querida. Somos uma fraternidade artística. Sim, porque o Charles também é um artista. Há um artista latente dentro do homem que faz programas, um garoto tímido que se revela genial quando menos se espera. E as gurias são minhas sistas, de coração!

PS.: Este post pode conter generalizações, erros e conclusões tiradas às pressas a respeito de algumas situações. Sobre a região Metropolitana do estado, são conclusões que eu tirei. Nenhum dado é científico ou milimetricamente calculado, são apenas impressões pessoais, meramente ilustrativas. E sendo pessoais, podem ser, por vezes, fantasiosas. Corrija-me e ajude a enriquecê-las. ;-)

7 de setembro de 2009

Há algumas semanas, em que as chuvas eram mais frequentes que os dias de sol, eu redescobri o prazer de fotografar ao ar livre. E cada dia bonito que fazia era a oportunidade única de alimentar minha necessidade/obsessão de fotografar. Neste processo eu aprendi muita coisa e desenvolvi um gosto especial pelos desenhos que os galhos formavam em contraste com o céu e especialmente pelas linhas, manchas, fungos e toda forma de manifestação humana, biológica ou ecossistêmica nos muros da cidade.

E foi num dia, almoçando no RU, que descobri numa parede mofada as formas humanas “desenhadas” por fungos e a intervenção dos desenhos da Fernanda Manéa, cujo trabalho eu já conhecia e admirava muito. Foi uma surpresa muito agradável descobrir que a autora daquelas intervenções na parede estava indo almoçar e contemplar o próprio trabalho bem atrás de mim, quando me abordou. Conversamos sobre os desenhos e eu fiquei muito feliz em conhecer a mentora de um trabalho tão instigador.

Desde então eu tenho refletido sobre o processo criativo e as interações entre artista, expectador e o trabalho em si e fico feliz por ter tanta gente criando coisas legais à minha volta e pelo fato de serem tão acessíveis. Cheguei à conclusão de quanto mais a pessoa vê que fez um trabalho bom e consistente, melhor ela pode falar sobre aquilo, e por isso os melhores artistas que eu conheço são gente humilde, de mente aberta.

Também é interessante saber que outras pessoas também são capazes de apreciar as linhas e manchas desenhadas pela natureza, dialogar com estas formas de vida de uma forma bucólica no meio urbano, num jeito poético e simples que é capaz de falar por si só.

O que é uma gravura?

19 de agosto de 2009

Bem, isto é o que vou descobrir este semestre nesta disciplina mágica na qual tive minha primeira aula hoje. Mas, por enquanto, divirto-me com a leitura de A Gravura, de Jordi Catafal e Clara Oliva, Editorial Estampa, que achei na biblioteca do IA, e também com os simpáticos textinhos e animações do site do MOMA, indicados pela professora Cattani. O primeiro me parece bem completo e abrange vários procedimentos em gravura. O segundo apresenta uma linguagem clara e animaçõezinhas bem queridas que mostram como os processos são feitos.

Na tentativa de tocar cavaquinho

8 de agosto de 2009

O Youtube tem se mostrado cada vez mais útil à medida que ganha maturidade como site e também na medida em que procuro por vídeos mais instrutivos. É o caso de quando quero aprender a customizar camisetas, fazer o penteado da Amy Winehouse, dobrar um origami e até mesmo aprender a tocar ou afinar um instrumento. Pois lá estava eu ouvindo Postcards From Italy, do Beirut, quando pensei que tocá-la não seria má idéia. Afinal, tenho um cavaquinho em casa, que o louco do Charles comprou pra aprender a tocar e necas! Como estava há anos sem uso, tive que aprender a afinar. E não faltaram vídeo para isso. Abaixo, dois exemplos disso: rapazes que se prestaram a gravar vídeos para ajudar os internautas aflitos.



Fui então procurar pelas cifras pra cavaquinho. Certo! Aparentemente fácil, se não fosse pelo som meio estranho que saía do instrumento. Alguma coisa estava errada: claro, eu nunca havia tocado isso antes! Então fui procurar por vídeos que mostrassem o Beirut tocando bem de pertinho e achei mais do que isso: duas boas-almas que ensinavam a fazê-lo passo-a-passo.



Bem, senhoras e senhores! Cá estou eu com um único problema: eu sei tocar violão. E isso se torna um grande problema quando tento adaptar meu corpo a esta coisinha aqui. Onde apoiar? Levanto o joelho e apóio no peito? Complicado, muuuuito complicado! Mas o programa mais divertido para um sábado chuvoso como este.

Gil Vicente na Subterrânea Atelier

4 de agosto de 2009

No dia 6 de agosto a 5 de setembro o artista pernambucano Gil Vicente estará com a exposição Inimigos na Subterrânea Atelier.Trata-se de uma série de desenhos onde o artista se auto-retrata matando figuras como Elizabeth II, George Bush, Bento XVI, Jarbas Vasconcellos, Lula, entre outros.

Serão rifados 2 trabalhos do artista a R$ 5,00 o número. As rifas serão vendidas na abertura, a partir das 21h30.

A Subterrânea fica na Avenida Independência, 745 / subsolo, Porto Alegre. Mais detalhes podem ser conferidos no site do atelier.

auto-retrato-matando-george-bush

Gnocchetti ao molho de chocolate e nozes

2 de agosto de 2009

Sou do tipo que só cozinha quando está de férias ou quer economizar. Odeio cozinhar, mas adoro inventar moda na cozinha. E pra provar que não minto quando falo que cozinho bem, só mesmo experimentando (hehe)! Esta semana foi intensa no quesito cozinha, porque convidei meu primo para vir aqui. Claro, se estivesse sozinha, faria um requintadíssimo pão com ovo, mas resolvi ser uma boa anfitriã e cozinhar decentemente. E minhas aparições na cozinha estimularam minha criatividade gustativa. No início pensei que fosse uma idéia de pessoa faminta: onde já se viu, cozinhar massa com chocolate?! Mas como a idéia persistiu, resolvi ver no que dava. Se ficou bom? Ora, pergunte ao Charles! Se sua descrição não for suficiente, segue a receita abaixo.

Gnocchetti ao molho de chocolate e nozes

(Receita para duas pessoas).

Ingredientes:

250 gramas de macarrão tipo gnocchetti ou pene

160 gramas de chocolate meio amargo

50 gramas de nozes pecan moídas

70 ml de leite

Preparo:

Cozinhe o macarrão até que atinja a consistência de sua preferência e derreta o chocolate em banho-maria. Utilize o leite para atingir a consistência ideal do chocolate (deve ficar como um creme). Sirva o chocolate derretido sobre o macarrão e acrescente as nozes moídas.

Dicas:

Uma salada de rúcula com morangos pode ser uma boa companhia para o prato.

O tipo de massa não precisa ser o mesmo, apenas sugeri porque acho que fica cara boa. Só não vá usar miojo, ok? =D

SuperInteressante Mentes Psicopatas

30 de julho de 2009

Nesta semana eu acabei de ler uma edição da Super sobre psicopatia. Mentes Psicopatas é o título da edição que me prendeu à leitura por algumas horas (eu leio devagar). A revista faz uma análise bem geral sobre o que caracteriza um psicopata, as diferentes faces que a psicopatia pode assumir, como ela se manifesta na infância como funciona uma mente psicopata, analisa outros transtornos que levam à maldade e ainda conta histórias de psicopatas famosos ou de famosos que, mais tarde, foram diagnosticados por alguns especialistas como psicopatas.

O tema é curioso e interessante e a edição desmitifica muitos aspectos da psicopatia que ficam no imaginário popular por conta da literatura e do cinema, em filmes como Psicose, Silêncio dos Inocentes e Laranja Mecânica.

Como não lia a Super a algum tempinho, não pude deixar de notar que a linguagem utilizada tem sofrido modificações significativas quanto ao uso de expressões coloquiais, como no trecho que fala sobre Hitler na página 42: “Já foi diagnosticado com síndrome de Asperger, paranóia, narcisismo, depressão. Disseram até que tinha uma bola.” Penso que as publicações estão revendo sua linguagem em função, talvez, da popularização dos blogs. Em ambos os casos a linguagem, muito mais próxima da que é falada no dia-a-dia, torna a leitura mais acessível. Mas receio que a mudança cause um certo empobrecimento na linguagem ao longo dos anos. Ok, talvez isso seja natural, porque a língua não é estática, evolui de acordo com os falantes. Pode ser impressão minha, que cresci lendo a revista. Pode ser uma série de fatores que escapam à minha percepção e também pode ser uma mudança positiva, por outro lado. Mas eu continuo com medo de ser emburrecida pelo mundo ao meu redor. Mansamente, sem me dar conta de nada. Seria isso paranóia? o.O

Alice no País das Maravilhas por Tim Burton

27 de julho de 2009

Um dos filmes mais queridos da minha infância será relançado com a direção de Tim Burton, um dos diretores mais queridos da minha adolescência. Não preciso dizer o quanto eu anseio ver este filme, que tem a previsão de lançamento nos EUA em março de 2010. Aos 5 anos perdi a conta de quantas vezes rebobinei a fita emprestada pelo tio Eliseu, procurando juntar os cacos daquela hisória sem pé nem cabeça que eu queria muito compreender. Hoje me contento com o trailer, mimimimi!

Reflexos Contemporâneos – A Figura

19 de julho de 2009

Acontece em Porto Alegre, com abertura dia 23 de julho, às 23 horas, a exposição Reflexos Contemporâneos – A figura, com trabalhos de artistas selecionados no Projeto Leitura de Portfólios, realizado pelo Santander Cultural e coordenado pelo Associação Chico Lisboa. A mostra fica até o dia 4 de setembro na Chico Lisboa, Travessa dos Venezianos, 19, na Cidade Baixa e é aberta ao público de segunda a sexta-feira, das 14 às 18h.

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